PARA O CARNAVAL DE 2026, O G.R.E.S. PORTELA APRESENTA O ENREDO “O MISTERIO DO PRINCIPE DO BARA, A ORAÇAO DO NEGRINHO E A RESSURREIÇAO DE SUA COROA SOB O CEU ABERTO DO RIO GRANDE”, PROPONDO UMA NARRATIVA FANTASTICA QUE SE DEBRUÇA SOBRE A HISTORIA DA COMUNIDADE NEGRA NO RIO GRANDE DO SUL, A PARTIR DA REFERENCIA DE UM PERSONAGEM ESSENCIAL NAO SO PARA A CONSTRUÇAO DA NEGRITUDE E DA AFRORRELIGIOSIDADE NO ESTADO, MAS QUE TAMBEM SE TORNA UM FAROL PARA O ESTABELECIMENTO DO MOVIMENTO NEGRO NACIONAL.
ESSA HISTORIA TOMA, ENTAO, PROTAGONISMO COMO UMA FERRAMENTA IMPORTANTE PARA
ESSA HISTORIA TOMA, ENTAO, PROTAGONISMO COMO UMA FERRAMENTA IMPORTANTE PARA
CORRIGIR ERROS CONTINUOS NA CONSTRUÇAO DO IMAGINARIO POPULAR BRASILEIRO,
TRAZENDO A LUZ UMA NEGRITUDE QUE RESISTIU, PERSISTIU E FORJOU UMA IDENTIDADE QUE SE
PERPETUA ATE OS DIAS DE HOJE. AO TRAZER UM SIMBOLO UNIVERSAL DE PODER, A PORTELA,
INSTITUIÇAO CULTURAL MAIS CONHECIDA DO BRASIL, PROPOE AO PAIS A DESCENTRALIZAÇAO
DA HISTORICIDADE NEGRA NACIONAL, PROMOVENDO A HISTORIA DO PRINCIPE CUSTODIO.
SIMBOLO DA RESISTENCIA E PARTICIPAÇAO NEGRA NA CONSTRUÇAO DO ESTADO, O PRINCIPE SE
TORNA PERSONAGEM PRINCIPAL DE UMA NARRATIVA QUE PROMOVE UMA ALTERNATIVA DE SE
ENXERGAR NAO SO O RIO GRANDE DO SUL, MAS TAMBEM OS GRANDES HEROIS DA NEGRITUDE
BRASILEIRA.
NA CENTRALIDADE DESTA SAGA ESTA UM PERSONAGEM QUE E EGRESSO DO CONTINENTE
AFRICANO, QUE TOMA O RUMO DO BRASIL NAO PELAS CORRENTES DA ESCRAVIDAO, MAS SIM
NA CENTRALIDADE DESTA SAGA ESTA UM PERSONAGEM QUE E EGRESSO DO CONTINENTE
AFRICANO, QUE TOMA O RUMO DO BRASIL NAO PELAS CORRENTES DA ESCRAVIDAO, MAS SIM
COMO UM PRINCIPE COROADO, AGENTE ATIVO DE SUA PROPRIA HISTORIA. AINDA QUE NESTA
CONDIÇAO, ELE APRESENTA UMA PERSPECTIVA DE ANALISE QUE REFORÇA E EXALTA A
CAPACIDADE DO POVO NEGRO DE MOLDAR NOVAS REALIDADES ONDE PASSA. ATRAVES DA
INFLUENCIA DE CUSTODIO, SEREMOS CAPAZES DE DESCORTINAR UM RIO GRANDE DO SUL AINDA
DESCONHECIDO PELO BRASILEIRO, E QUE SE CONSTITUI COMO PEÇA FUNDAMENTAL PARA A
CONSTRUÇAO DA LUTA QUE CONHECEMOS, SE TORNANDO ASSIM AMPLAMENTE RECONHECIDO
COMO REFERENCIA. IREMOS DISSIPAR A NEVOA AO REDOR DE UMA FIGURA QUE, AINDA QUE
ORIGINARIO DO BENIN, REPRESENTA UM BRASIL QUE QUEREMOS COLOCAR CADA VEZ MAIS NO
MAPA: UM BRASIL QUE SE RECONHECE EM SUA NEGRITUDE E A COLOCA COMO LIDERANÇA
POLITICA, CULTURAL E RELIGIOSA, ENALTECENDO AQUILO QUE NOS E ESSENCIAL.
NA NARRATIVA PROPOSTA, BUSCAMOS ABARCAR A CONSTRUÇAO DO
PRINCIPE CUSTODIO COMO UM MITO DE FUNDAÇAO DA SOCIEDADE
NA NARRATIVA PROPOSTA, BUSCAMOS ABARCAR A CONSTRUÇAO DO
PRINCIPE CUSTODIO COMO UM MITO DE FUNDAÇAO DA SOCIEDADE
GAUCHA. TAMANHA E A SUA INFLUENCIA NA ORGANIZAÇAO DA
POPULAÇAO NEGRA DOS PAMPAS E SUA IMPORTANCIA NA
CONSTRUÇAO DESSE ORGANISMO SOCIAL, QUE PODEMOS ALCANÇAR A
COMPREENSAO DE QUE A SUA EXISTENCIA PERPASSA OS LIMITES DA
CORPORALIDADE E PASSA A INTEGRAR A ESFERA DO QUE E
INTANGIVEL. AO COLOCALO UMA VEZ MAIS NO PLANO MATERIAL,
CONTANDO SUA HISTORIA, PODEREMOS FINCALO DE MANEIRA
DEFINITIVA NO IMAGINARIO POPULAR BRASILEIRO COMO UM
ESPELHO DA NEGRITUDE QUE CONSTRUIU, E CONSTROI, O PAIS QUE
ACREDITAMOS.
“TERRA DE ESTÂNCIA
CHARQUEADA GRANDE NEGRO SE SALGANDO TERRA QUILOMBO CHOÇA E MOCAMBO NEGRO LUTANDO E RESISTINDO E RESISTINDO SE LIBERTANDO”
OLIVEIRA SILVEIRA, EM “TERRA DE NEGROS”
DESDE A AURORA DE SUA HISTORIA CENTENARIA, O GRES PORTELA SE IMPOS COMO REFERENCIA BASILAR DA LINHA DE FRENTE DO ENFRENTAMENTO AO RACISMO BRASILEIRO. NASCIDA EM UMA SOCIEDADE CUJA ESCRAVIDAO FORA RECEMABOLIDA, NUM PROCESSO TRAUMATICO E MAL CONDUZIDO EM QUE RESTOU O ABANDONO E A NEGAÇAO DE QUAISQUER PERSPECTIVAS A PESSOAS NEGRAS, ESTA ESCOLA DE SAMBA ACABOU POR SE CONSOLIDAR COMO A GRANDE REFERENCIA DE SEU POVO, FAROL A GUIAR TODO UM PAIS.
EM 2026, A PORTELA CONTARA A EPOPEIA DE UM PRINCIPE NEGRO: CUSTODIO JOAQUIM DE EM 2026, A PORTELA CONTARA A EPOPEIA DE UM PRINCIPE NEGRO: CUSTODIO JOAQUIM DE ALMEIDA. BATIZADO OSUANLELE OKIZI ERUPE NO BENIN, ONDE NASCEU, DESCENDIA DA REALEZA E SE TORNOU GUERREIRO DA LIBERDADE DE SUA GENTE, UMA LUTA QUE O LEVOU A SER PERSEGUIDO ATE DEIXAR SUA TERRA NATAL. GUIADO PELO IFA, ONDE BUSCOU UMA DIREÇAO QUE O PROTEGESSE, APORTOU NA BAHIA, PASSOU PELO RIO DE JANEIRO E CHEGOU AO RIO GRANDE DO SUL, CASA E CENARIO DESTA SAGA.
MISTICA E FANTASTICA, A HISTORIA DO PRINCIPE E NARRADA A PARTIR DO ENCONTRO ENTRE O MISTICA E FANTASTICA, A HISTORIA DO PRINCIPE E NARRADA A PARTIR DO ENCONTRO ENTRE O NEGRINHO DO PASTOREIO E BARA, AMBOS SIMBOLOS FUNDAMENTAIS PARA O POVO GAUCHO. UMA CRIANÇA QUE OROU E ILUMINOU O CAMINHO ATE ENCONTRAR A MEMORIA DE UM REINADO PRONTO PARA SER REDESCOBERTO, DE FRENTE AO GRANDE DEUS DO BATUQUE RELIGIAO AFROGAUCHA, QUE PERMITE OS CAMINHOS E OS ENCONTROS NAS ENCRUZILHADAS, O INICIO, O MEIO E O INICIO. E ESTE CONTO NAO PODE SER ENCONTRADO EM OBRAS LITERARIAS, MATERIAS JORNALISTICAS E ESCRITAS ACADEMICAS, POIS SE APRESENTA A PARTIR DO PROTAGONISMO DA ORALIDADE NA FORMAÇAO DOS MITOS FUNDAMENTAIS. SEM TAL RECURSO, ESTAS E TANTAS OUTRAS HISTORIAS SAO ENCAIXADAS E REDUZIDAS A ESPAÇOS DELIMITADOS PELO QUE SE VE, SEM A LUDICIDADE E A MOBILIZAÇAO TRAZIDAS PELO EXERCICIO DA UTOPIA ENQUANTO POSSIBILIDADE DE MANUTENÇAO DO MITO, PARA QUE ESTES SE TORNEM IMORTAIS MESMO DEFRONTE AO VIGOR DO TEMPO.
O ENREDO REFLETE A VIDA E OS MISTERIOS DO PRINCIPE DO BARA EM SUA QUERENCIA, ESPELHANDO A INFLUENCIA DE CUSTODIO NA FORMAÇAO DA IDENTIDADE DA SOCIEDADE O ENREDO REFLETE A VIDA E OS MISTERIOS DO PRINCIPE DO BARA EM SUA QUERENCIA, ESPELHANDO A INFLUENCIA DE CUSTODIO NA FORMAÇAO DA IDENTIDADE DA SOCIEDADE GAUCHA. A RELIGIOSIDADE E PARTE FUNDAMENTAL DA NARRATIVA, POIS, COMO CONTA O MITO, CUSTODIO E QUEM UNIFICA NOS PAMPAS OS RITOS E OS COSTUMES AFRICANOS QUE PASSARAM A GUIAR A FE DO GAUCHO NO EXERCICIO DA AFRORRELIGIOSIDADE NAS PARAGENS DESTA TERRA.
E, DIANTE DO ASSENTAMENTO DE BARA NO MERCADO PUBLICO, O ENREDO SE ENCRUZILHA
DESTE CRUZEIRO, PERCORRESE O CAMINHO DEFINIDO POR BARA, ALHEIO A OBVIEDADE DA DESTE CRUZEIRO, PERCORRESE O CAMINHO DEFINIDO POR BARA, ALHEIO A OBVIEDADE DA CONTAGEM DO TEMPO, QUE REDEFINE TUDO O QUE HA APOS COMO UM ESPELHO ANCESTRAL DO QUE EXISTIU ANTES: A ANDANÇA DE CUSTODIO. DAQUI EM DIANTE, REVELASE A IDENTIDADE DO LUGAR, A CULTURA SULISTA E OS HEROIS NEGROS ERGUIDOS DESTAS TERRAS, OS SONHOS, ANSEIOS, ORGULHOS… LENDAS E MISTERIOS DO RIO GRANDE.
EIS UMA HISTORIA DE TAMANHA EXUBERANCIA, QUE NAO E AMPLAMENTE CONHECIDA, PARA
EIS UMA HISTORIA DE TAMANHA EXUBERANCIA, QUE NAO E AMPLAMENTE CONHECIDA, PARA
ALEM DO SUL, EM VIRTUDE DA VIOLENCIA. A IMAGEM DE UM GAUCHO EMBRANQUECIDO E
EUROPEIZADO, DIFUNDIDA PAIS AFORA POR DECADAS, NAO DA CONTA DE PROTAGONIZAR UM
ESTADO MULTICULTURAL E RACIALMENTE ENGENDRADO. O RELICARIO NEGRO DO RIO GRANDE
DO SUL TEM SUA PROPRIA HISTORIA E, A PARTIR DE AGORA, SERA CONTADO PELA MAIOR E MAIS
IMPORTANTE ESCOLA DE SAMBA DO MUNDO.
O PRINCIPE CUSTODIO MERECE A FESTA E A AGUIA E POR VOCE, NEGRINHO. PODE VOAR.
Bará indica:
Corre, Negrinho.
.. voa, Negrinho
Tua ronda é precisa
Voa, Negrinho, mostra a trilha
No sinuelo do tempo novo tu levanta o que foi negado
Lá onde o açoite cala, teu passo deixa recado
Lá onde o açoite cala, teu passo deixa recado
Corre leve, Negrinho do Pampa, tua vela é farol no breu
Trote irme nas cancha da alma, tua luz é caminho dos seus
Rente ao chão no descampado noturno
A luz da tua vela clareia o in inito
Negrinho de galope manso, de parceiros con iantes
Cada um carrega a ausência de um pampa esquecido
No breu do não saber
No breu do não saber
Tu acendes a dignidade que te negaram
Um pampa negro, paleteado do peito
Escondido sob a fumaça branca, brava, cerrada..
Corre, Negrinho… voa, Negrinho
Deixe que te vejam no escuro véu
Tua ronda são suas lembranças
Teu galope sobe pro céu..
Negrinho do Pastoreio diz:
Alupo, Alupo... licença, meu senhor
Não tem tropa ou cavalo que me faça estancieiro
Perdão pela palavra: somos dois renegados
Na querência do Brasil, mal somos enxergados
Mas quem sabe... se eu lhe trouxer um achado da noite?
Da nuvem da memória, só se lembram do açoite
Da nuvem da memória, só se lembram do açoite
Achei uma coroa – e eu sei a quem pertence
Se o senhor me ouvir, conto a história com reverência:
É sobre um Príncipe, preto feito eu
Que mal pensa o brasileiro de sua existência
Jamais o Negrinho saberia explicar porque o dono dos caminhos e senhor das histórias o convocara para esta missão. Atendendo ao chamado, revelou seu achado...
Atento, Bará se pôs a ouvir o menino, que passou a lhe contar sobre o príncipe de Ajudá, vindo de Benin: Custódio Joaquim de Almeida, ou Osuanlele Okizi Erupê.
A cabeça coroada por Sakpatá, o homem que lutava em suas terras pelo direito de existir livremente, era líder da resistêcia, das revoltas. Em nome da segurança
de seu povo, foi exilado e, no jogo de búzios, viu seu destino apontado pra o Brasil.
Acalentado, seu caminho foi abraçado pelos deuses do desconhecido desta nova terra. O mar estava no meio do tabuleiro e a sorte do caminho era de quem respondia primeiro.
No porteo do passado, ficou a mãe terra.
“E NAN TṢẸ E NAN TṢẸ
E DỌ E NAN TṢẸ
ENAN TṢẸ NU E AONON DAHO”
Foi quando o vento da palha que dança chegou, desembarcou primeiro na Bahia, ventou e foi para o Rio de janeiro. O barulho da fibra se batendo no solo só dançou e levantou terra quando chegou no Rio Grande.
O poder que trazia dos séculos se restabeleceu, e pelos infinitos horizontes das querências gaúchas espalhou-se a real presença de um negro Príncipe Africano.
Coroado Príncipe dos Mendigos, pois o povo atendia. Príncipe Curandeiro e Macumbeiro, era feiticeiro. Rei das mandingas e dos despachos. Revirava a alma dos necessitados com folhas, rezas e toques que só compreendiam os antigos africanos. Um trono de fumaça que exalava o ancestral.
Tornou-se temido e respeitado a ponto de fazer a burguesia dançar consigo o dueto de reverências. Chefe dos pobres, todos vindos de um negro Brasil recém-liberto que estava sob sua influência, era o representante dos vadios, da cidade baixa, de malandros e vagabundos. Uma história cheia de mistérios que merece cuidado.
Enquanto desviava as atenções sobre sua famosa e misteriosa figura na elite, enquanto recebia em sua casa nas escuras noites porto-alegrenses os chefes de estado governadores, entre outros, o Príncipe organizava seu povo no fundo do quintal, por detrás da capela, por detrás dos santos.
Uniu por um único toque, único tambor, uma África despedaçada pelo horror das invasões. E foram hegando... o que lá eram diferentes povos, aqui se tornaram os remendos de uma alma, os remendos da cor com linhas de sobrevivência.
De mansinho, pés rastejos e descalços, no embalo do ilu, juntaram-se as Nações de Oyó, Jeje e Nagô, os negros Cambinda e também de Ijexá.
Sob o trono do Príncipe das Encruzilhadas, cruzaram distintas heranças e entronaram o Deus da comunicação como seu principal representante em comum, abrindo caminhos entre as diferenças e uninco a todos para resistir ao tempo.
O assentaram pela cidade, e no Mercado o cruzeiro de BARÁ virou o encontro de todos. A chave da eternidade.
Negritude resplandecente e consciente, se reconstituindo, de nome resistência, de sobrenome tambor. E o BATUQUE nasceu.
Bará diz:
É bem aqui, no cruzeiro dessa história
Que te encontro, Negrinho da alma andeja
Eu – que sou “começo, meio e começo”-
Carrego a coroa numa mão, noutra, a chave campeira do porvir
O Príncipe já se foi, se encantou nos passos de Sakpatá
E bailou sua última dança no terreiro do tempo
Fui eu quem mandou buscar, no escuro do esquecimento
A coroa perdida de um reinado que ainda vai ser teu
Serás, Negrinho, com outros da tua tropa
Príncipes do sol nascendo no campo limpo
Onde nossa gente não vai ser mais açoitada
Nem sumida na névoa braba do racismo
Do abandono, da violência
Do tempo que tentaram no calar
Vão beber das águas de um Rio Grande
Que corre nas veias africanas do Sul do Brasil.
E assim será:
Bará, então, disse que nesse Rio Grande onde o Príncipe se encantou assentou-se um novo rumo, um novo Sul, africano e pouco conhecido, com um destino certo de expandir sua força para as terras continentais deste país, que tanto tem de África em outros conhecimentos.
Foi quando apresentou ao Negrinho o Xirê do Batuque, a religião com mais adeptos e casas abertas no Brasil, que é fruto da organização das diferentes nações unidas pelo Príncipe Custódio, que firmou a negritude do Sul de um País que não a vê e presiste em suas próprias lutas. É como se senterm.
Contam com o movimento da espada de Ogum e Oyá, com a justiça de Xangô. Com a esperança dos Ibejis e a obstinação de Odé e Otim. Estão com Obá em uma dança de cura e segredos, onde Ossain e Xapanã também são sacerdotes. Com a destreza de Oxum e o acalanto de Iemanjá, firmam seus Oris para servirem ao pai Oxalá em suas missões de paz e dignidade para os seus iguais.
Estão nos assentos de Bará espalhados pela cidade, no cruzeiro do Mercado e na procissão de fé que tem como terreiro a Igreja do Rosário, um rito simboliza a ocupação da cidade esquecida corte da realeza africana.
Corte real esta que espalhou sua mancha preta, a cor do trono do principado ocultado que revive nos contos, nos mitos e na oralidade de seus sú Versaram em alto e bom som:
“Nós não éramos nascidos/Nossa mãe não pôde conhecê-lo/O já então falecido Príncipe africano que, por capricho do destino, desembarcou no Rio Grande/Mas o tempo passou/E, por pouco, não perdemos nossa identidade/Como uma prova do destino, tivemos que lutar bravamente/Para merecermos a nossa velha imortalidade.
Imortais nos toques do tambor de sopapo, nos movimentos quilombolas que resistem e nas espadas, coroas e bandeiras dos Maçambiques de Osório.
Estão nos estandartes de Onira, herança da negritude, o cortejo onde seu Rei é preto e a Rainha também. Baila a porta-estandarte ao lado dos Comanches que, ano após ano, sorriem na avenida para não se tornarem um espaço vazio numa passarela que não contará suas histórias.
A cultura negra do Rio Grande do Sul está assentada na memória do velho Príncipe de Sakpatá, o homem que afirmou o Bará tão profundo que a terra respira os ecos de sua real presença preta, que não abaixa a cabeça.
E que assentou um Brasil inteiro quando refez o trono de Zumbi como o rei do Brasil de cor, fazendo de sua data o maior marco do sentido de liberdade. Feitiçaria ensinada pelo velho Custódio, que ensinou este Bará a abrir os caminhos de seu povo.
Bará ensinou ao Negrinho o que aprendeu com Custódio: a ser rei e a servir. O senhor das chaves mostrou ao menino o caminho da eternidade: a chama da memória.
Por isso, a partir de agora, o Príncipe da nova história é um menino negrinho que deu cera, pavio e fogo para tantos outros encontrarem as estradas da liberdade, para sobreviverem no formigueiro grande de costumes malditos que tenta matar aos pouquinhos os pretos do Rio Grande.
Enquanto sobrevivem na luz da lembrança , alimentam as velas de outros pretinhos e pretinhas que pastoreiam esse país para salva o corpo de um Negro inteiro, que será coroado a céu aberto de dia claro, e, quem sabe, ganhará asas para voar com as águias e lançar das nuvens as injustiças desse pais.
Bará ordena:
CORRAM, NEGRINHOS... VOEM, NEGRINHOS DEIXEM QUE SIGAM VOCÊS SUAS RONDAS SERÃO DE VITÓRIAS O MUNDO PRECISA LHES VER.


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☼ Este texto serviu como inspiração para a criação do título do enredo.
